
Gestão Estratégica Orientada a Resultados
Cuidado com o inimigo intimo! Seu colega de trabalho joga a seu favor ou contra?
26/03/2013 08:49Duas situações iguais com desfechos diferentes. Qual a atitude correta?
Situação 01
SEPANG, Malásia, 24/03/2013 - O atual campeão mundial de Fórmula 1, Sebastian Vettel, pediu desculpas a Mark Webber, seu colega de equipe na Red Bull, por ignorar uma ordem da escuderia e roubar a vitória no Grande Prêmio da Malásia do australiano, neste domingo. O australiano Webber liderava a corrida a dez voltas do fim, mas Vettel decidiu ir com tudo para ultrapassá-lo. Em uma disputa acirrada, os dois pilotos ficaram roda a roda em vários momentos, com vantagem do tricampeão, que acabou vencendo a prova. Christian Horner (chefe da equipe RBR) considera 'frustrante' a atitude do alemão ao travar disputa com o companheiro Webber, mas diz que assunto será resolvido internamente.
- Vettel colocou seu interesse acima da posição da equipe. Ele estava concentrado nos oito pontos de diferença entre o segundo e o primeiro colocado, o que foi errado. Ele já aceitou que estava errado. O que aconteceu hoje é algo que não deveria ter acontecido. Sebastian pediu desculpas e vamos discutir isso internamente com a equipe - disse Horner.
(administradores.com / globo.com)
Situação 02
No mesmo grande prêmio, assim como na R, em determinado momento da prova a BRMercedes solicitou a seus pilotos que mantivessem as posições. Diferentemente da atitude de Sebastian Vettel, que desrespeitou ord, ens da equipe ao passar WebberNico Rosberg, que estava mais rápido, engoliu a seco, segurou o ritmo e não ultrapassou o companheiro, Lewis Hamilton, em detrimento do trabalho de equipe. O campeão de 2008 reconhece a atitude do companheiro, afirma que o lugar ocupado por ele no pódio pertence a Nico e não descarta devolver o favor.
Quando a ordem para não passar Hamilton foi dada, o alemão chegou a contestar a decisão, mas no fim acredita que foi melhor para o time.
- Eu respeitei a decisão em favor de um bom resultado para a equipe. Haverá outras oportunidades para se disputar posições entre companheiros. Fico feliz de ouvir as palavras do Lewis. Foi um resultado justo – afirma.
(globo.com)
Debatendo o assunto
Segundo artigo da Revista Você S/A n°161, “trabalhar em equipe e de forma transparente são comportamentos cada vez mais cobrados dentro das organizações. Mesmo assim, os golpes baixos e as puxadas de tapete continuam a ocorrer em relacionamentos profissionais. De acordo com uma pesquisa com 400 gestores realizada em agosto pela Produtive, empresa de recolocação e planejamento de carreira, descobrir que um colega confiável fala mal de você é o tipo de jogo sujo mais comum no ambiente de trabalho, tendo sido vivenciado por 51% dos entrevistados”. O artigo diz ainda que “quase tão comum é a falta de reconhecimento por parte do chefe. Segundo o levantamento, 49% dos entrevistados já estiveram diante da situação em que fazem tudo certinho, mas o chefe não dá o devido crédito, assumindo toda a fama pelo resultado”.
Os pontos abordados pelo artigo podem ser claramente identificados nas situações vivenciadas no GP da Malásia. Em ambos houve uma recomendação do líder, na primeira esta recomendação foi desrespeitada e o líder se viu em uma situação de conflito em sua equipe. Já na segunda, a recomendação foi acatada, mas mesmo assim o líder teve que lidar com a frustração de um dos membros de sua equipe. Ou seja, em ambas o líder terá que arcar com as consequências das suas ordens. Isso é comum, entretanto, o que se quer é que essas consequências não sejam negativas!
Existem vários outros casos de constrangimentos pessoais em favor do que é estabelecido pelo líder da equipe. Ainda usado a Formula 1 como exemplo, em 2002, o piloto brasileiro Rubens Barrichello, a poucos metros da linha de chegada e da vitória do GP da Áustria, desacelerou sua Ferrari e deixou seu companheiro de equipe, o alemão Michael Schumacher, ganhar a corrida. Barrichelo poderia ter conquistado a segunda vitória de sua carreira na categoria, naquele domingo. Schumacher, que era o atual campeão mundial, obteve a 58ª e abriu 27 pontos de vantagem no campeonato de pilotos daquele ano. O piloto brasileiro recebeu uma ordem da Ferrari para deixar Shumacher passar. A direção da Ferrari justificou a decisão com o argumento de que a prioridade da equipe é o campeonato de pilotos. Depois do GP, as Ferraris foram vaiadas pelo público quando se dirigiam aos boxes. No pódio, Shumacher, claramente constrangido, pediu para Barrichello ocupar o lugar mais alto. O piloto brasileiro havia feito a pole do GP e teve os melhores tempos nos treinos livres do meio da semana.
Reflexões:
- Na prática, até onde vai a conscientização sobre ética? Ela serve para todos, em todas as circunstâncias, ou só até onde o interesse pessoal não é abalado?
- Até onde o interesse coletivo supera o individual?
- É valido você tolher seu desenvolvimento profissional, seu talento em prol da equipe? Se sim, quando? Se não, por quê?
- Em determinadas áreas (como por exemplo no esporte), não se deveria privilegiar o melhor profissional do momento? Como fica a relação Meritocracia X Equipe?
Por Jaylson Mendonça
—————